sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

rastros

eu estava no prézinho. um dia cheguei em casa com um lápis de cera novo, diferente, tinha ganhado. toda animada, fui contar para a minha mãe e mostrar o novo presente. minha mãe não achou tão legal quanto eu: ela me mandou devolver. devolver? mas tinha sido presente, ela tinha me dado, eu não tinha outro igual! devolver? que injusto! eu juro que ganhei!

não importava. eu devolvi.

se até hoje eu lembro disso deve ser por um motivo. eu lembro porque aprendi uma lição. eu lembro porque minha mãe me ensinou aquele dia que as coisas que são minhas, são minhas. e as dos outros são dos outros. parece simples. não é. todos deveriam ter mães com conceitos rígidos de ética e moral. ou, então, que ninguém tenha.

o que faz alguém pensar que tem o direito de levar algo que não lhe pertence? a audácia de tomar algo da mão de outra pessoa. o absurdo de se achar acima de propriedade. era meu. o que faz alguém pensar que pode te tocar sem que você deixe? a audácia de enfiar as suas unhas imundas no meu pulso. será que você sente vergonha? não queria que eu visse seu rosto? o empurrão, os arranhões. durante dias toda vez que eu olhar pro meu braço eles vão estar lá. você vai estar lá.

eu desejei que você morresse atropelado enquanto fugia pelo meio da rua. eu sinto vergonha. e eu nem parti para ação, eu nem te derrubei no meio da rua. qual a diferença entre você e eu?

pessoal, eu tou sem celular mais uma vez.

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